05 Set 2019 781
Paulo Sousa, sommelier do restaurante Med, Vila Porto Mare PortoBay Hotels & Resorts
#dicas #eventos #experiencias

A semana perfeita para beber e conhecer vinho português

Os amantes do vinho não podem faltar a esta grande festa de tributo ao vinho, que oferece uma seleção cuidada dos melhores produtores de norte a sul do país e da ilha Madeira.
Este ano, a PortoBay Wine Week acontece entre 10 e 15 de setembro nos hotéis The Cliff Bay, Porto Santa Maria e resort Vila Porto Mare (Porto Mare, The Residence e Eden Mar).  Ao longo desta semana o inconfundível aroma do vinho paira no ar acompanhado de provas comentadas, música, workshops, visitas, degustação de queijos e gastronomia. Esteja atento ao calendário . .. em 2020 este evento acontece de 15 a 20 de setembro !!
Antes de passar à prática fique a conhecer um pouco dos vinhos portugueses, que são o resultado de uma sucessão de tradições introduzidas em Portugal pelas diversas civilizações. 
Falemos então um pouco deste néctar dos Deuses, dessa bebida ao mesmo tempo milenar e atual que é o vinho.

Sabia que . ..

1. Portugal tem a mais antiga região demarcada do mundo, a Região Demarcada do Douro, esta região, entre outras, produz alguns dos vinhos mais requintados, exclusivos e valorizados do mundo.
2. Tal como no resto da Europa, Portugal foi também fustigado pela filoxera no século XIX. Especialistas em botânica e viticultores europeus começaram a importar da América do Norte videiras de castas indígenas. Estes estudiosos não estavam cientes de que, em muitos casos, estas videiras americanas traziam consigo pequenos insetos amarelos que se alimentavam das suas raízes, sugando a sua seiva. As videiras americanas estavam habituadas ao ataque destes insetos quase invisíveis e tinham desenvolvido formas de lhe sobreviver. Contudo, as vinhas europeias de produção de vinho não tinham quaisquer defesas. Passou algum tempo até que a solução definitiva fosse encontrada. Esta passava por enxertar as videiras europeias nas raízes resistentes das castas americanas, uma medida que acabou por fazer parar a destruição.

3. Nos séculos passados, os produtores de vinho do Velho Mundo, onde enquadramos Portugal, rotulavam seus vinhos apenas com o nome das regiões DOC (Denominações de Origem Controlada) e o nome da propriedade. Com o passar do tempo e a partir de uma estratégia de marketing criada para competir com os produtores de vinho do Novo Mundo cada vez mais passou-se a estampar nos rótulos os nomes das variedades de uvas com que seus vinhos eram produzidos. Com essa mudança, os consumidores passaram então a identificar-se com o estilo de cada uva e a apresentação das castas ganhou espaço no mundo inteiro. A vastíssima quantidade de castas nativas, permite produzir uma grande diversidade de vinhos com personalidades muito distintas. Ao agregado de características transmitidas pelas diferentes castas temos também que ter em conta o solo, o clima, à atuação do enólogo na elaboração do produto, dando ao vinho uma especificidade única, os franceses deram o nome de "terroir”.

4. Portugal tem cerca de 285 castas autóctones e muito mais designações ainda. Conhece a casta João de Santarém? Talvez não, mas é provável que conheça a casta Periquita, que é outro nome dado à mesma uva. Não? E a Castelão, conhece? Pois fique a saber que são todas a mesma casta, cuja designação oficial, conforme entendida pela Instituto do Vinho e da Vinha, é Castelão. Independentemente de regionalismos, 285 castas é muita fruta, faltando adjudicar as muitas castas internacionais existentes no país. Existem 2 conceitos de vinho, o Varietal  e o Blend . Basicamente, a diferença entre um vinho varietal, monocasta é aquele elaborado com apenas uma única variedade de uva. Um Blend é um vinho produzido a partir da mistura de diferentes variedades de uvas. E qual é o melhor?
Existem vinhos maravilhosos feitos com apenas uma uva e também com diversas. A melhor opção depende do gosto de cada pessoa.
Venha descobri-los connosco durante a PortoBay Wine Week, com provas diárias de degustação, harmonizadas com tradicionais tapas e petiscos portugueses.
No Vila Porto Mare, a nossa viagem começará no norte de Portugal, na maior Região Demarcada Portuguesa: a Região Demarcada dos vinhos verdes. O vinho verde é produzido exclusivamente na região do Minho, no noroeste de Portugal, na fronteira com a Espanha e com o Oceano Atlântico. De clima frio e húmido, o local é propício para o cultivo de castas de uvas brancas, berço da carismática casta Alvarinho. Contudo, há na mesma região também castas tintas - entre elas a Alvarelhão, a Espadeiro, a Padeiro e a Vinhão - plantadas na sub-região de Monção e Melgaço, onde há menos chuva e as temperaturas são mais elevadas.
O vinho Rosé produzido nesta região é feito principalmente com as variedades Padeiro e Espadeiro, tem seus níveis de açúcar mais percetíveis que os demais vinhos verdes e é considerado um vinho adamado (com baixa graduação alcoólica e de sabor adocicado. Os seus aromas são de frutas frescas (como morango, cereja ou framboesa) e os seus sabores são considerados persistentes. Continuemos a nossa viagem para o Nordeste de Portugal chegando à Região Demarcada do Douro, rodeada pelas serras do Marão e Montemuro, mundialmente conhecida pelos Vinhos do Porto, este embaixador dos vinhos portugueses, nasce em terras pobres e encostas escarpadas banhadas pelo rio Douro. Além do vinho do Porto esta região é cada vez mais reconhecia pelos excelentes vinhos tintos e brancos. As vinhas dispõem-se do cimo dos vales profundos até à margem do rio e criam uma paisagem magnífica reconhecida pela UNESCO como Património da Humanidade em 2001. Os solos durienses são essencialmente compostos por xisto particularmente difíceis de trabalhar e no Douro a dificuldade é agravada pela forte inclinação do terreno. Ao admirável cenário, alia-se a excelência dos vinhos produzidos nas três sub-regiões do Douro: Baixo Corgo, Cima Corgo, e Douro Superior.
Baterias recarregadas, retomamos a nossa viagem vínica em direção ao centro norte de Portugal, à província da Beira Alta, chegamos à Região Demarcada do Dão: região conhecida como a Borgonha Portuguesa, berço da Casta Portuguesa mais carismática, a Touriga Nacional. Os vinhos da Região Demarcada do Dão são vinhos gastronómicos, com acidez excecional de aromas complexos e delicados. Dado ao seu carácter, complexidade, elegância, equilíbrio e maturidade nascem os vinhos elegantes com personalidade, frescura e suavidade e com enorme potencial de envelhecimento.
Movidos pela sede de conhecimento vamos até à região Tejo, localizada no coração de Portugal, a uma curta distância da capital de Lisboa. O clima temperado tem servido de base à criação de vinhos macios, aveludados e frutados. É comum na região o uso de castas internacionais como a Cabernet Sauvignon, Merlot, ou Syrah, que na região do Tejo têm encontrado terreno fértil para a criação de vinhos interessantes e de identidade muito própria. 
Empolgados, continuamos a nossa peregrinação. Chegamos ao centro-sul de Portugal,  à   região vitivinícola DOC Alentejo. O Alentejo é uma das maiores regiões vitivinícolas de Portugal, onde a vista se perde em extensas planícies. É uma zona muito soalheira permitindo a perfeita maturação das uvas e onde as temperaturas são muito elevadas no Verão. As vinhas são plantadas em solos muito heterogéneos de argila, granito e calcário. No Alentejo há inúmeras castas plantadas, sendo que as castas brancas mais importantes na região são a Roupeiro, a Antão Vaz e a Arinto. Em relação às castas tintas, salienta-se a importância da casta Trincadeira, Aragonez, Castelão e Alicante Bouschet (uma variedade francesa que se adaptou ao clima alentejano).
Do Alentejo para a Madeira, com os seus vinhos de mesa. Quase todos frutados, as cores do claro cristalino ao dourado escuro, do tinto em tom framboesa ao sólido e encorpado vermelho, os brancos, rosés e tintos que chegam à mesa do arquipélago cumprem o seu destino nos favores do clima e nos desvios do terreno, seguindo as ordens do oceano, tropicais, secos ou com a devida acidez.

Vinhos e queijos, a combinação perfeita

A afinidade entre queijos e vinhos é tanta que não podemos estranhar estarem sempre juntos. Durante a PortoBay Wine Week selecionamos queijos e vinhos onde o segredo está no encontro do equilíbrio entre acidez, taninos e corpo da bebida e a gordura e consistência da comida. O segredo da perfeita combinação de queijos com vinhos está, além do equilíbrio no paladar, na criação de um "terceiro sabor”. E o terceiro sabor nada mais é do que o complemento de um no outro – quando os dois ressaltam as suas qualidades, tornando-se ainda mais agradáveis quando acompanhados. Venha experimentar !!
"Deus quer, o Homem sonha, a Obra nasce. É a expressão poética de Fernando Pessoa que melhor pode-me ajudar a compreender a história dos vinhos Portugueses. 
Na fragilidade da nossa condição humana, atrevo-me a pensar que, de facto, para chegarmos à realidade que são hoje os nossos vinhos, algum Deus nos inspirou e algum sonho nos moveu.
Veja aqui também o programa preparado pelos hotéis The Cliff Bay e Porto Santa Maria.
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