25 Mai 2017 1303
Sandra Nobre {Jornalista} www.shortstories.pt
#atividades #aventura #cultura #in-routes&tips

A ver Lisboa

Quem chega de avião a Lisboa e faz o voo rasante sobre a cidade à beira Tejo, logo se enamora. A luz que desenha sombras nos edifícios erguidos entre sete colinas, parece de um filme. Por isso, tantos foram os poetas que cantaram a cidade, como Sophia de Mello Breyner Andresen, que dela dizia: "Ali e além em Lisboa - quando vamos/ Com pressa ou distraídos pelas ruas/ Ao virar da esquina de súbito avistamos/ Irisado o Tejo:/ Então se tornam/ Leve o nosso corpo e a alma alada" (in Musa). E tantas são as perspectivas em que a cidade se desvenda dos seus mistérios quando observada do alto, de longe, de soslaio. 

Lisbon by Beetle

Os motoristas apresentam-se de laço e boina e a frota automóvel é composta pelos clássicos Beetles, que desde que começaram a ser produzidos em 1945 se tornaram modelos de culto no mundo inteiro até aos dias de hoje. As paixões não se explicam e os automóveis, já se sabe, roubam o coração de muitos. Tantas vezes é a perspectiva em que se olha que torna os lugares inesquecíveis, a companhia ou a experiência. Ao melhor estilo vintage, de capota aberta e cabelos ao vento, a viagem segue a rota das principais atrações da cidade a bordo dos míticos carochas, durante quatro horas, com histórias pelo meio.

Rua dos Douradores, 16
Tel: 210 965 030

Terra Incógnita

Do maior rio da Península Ibérica partiram as naus e caravelas à conquista do mundo, acrescentando terras longínquas e outros mares, desenhando mapas. Soltam-se amarras e é ao sabor do vento que se vai. É outro olhar com salpicos de Tejo. Os monumentos correm nas margens deixando perceber a graciosidade desta Lisboa menina e moça. Quiçá se avistem as mesmas tágides que Camões evocou em busca de inspiração para cantar os feitos do povo português, em Os Lusíadas. Seja uma viagem em solitário para um batismo com honras de ir ao leme, seja em grupo, aguarde pelo pôr-do-sol e se o céu se pintar de vermelho, é o bom tempo que se anuncia para o dia seguinte.

Doca de Santo Amaro, Armazém 17
Tel: 213 021 588
www.terraincognita.pt

Cidade de espiões

Dispensa-se a gabardine e o chapéu para manter a discrição. Todos os cuidados são poucos neste passeio em que as paredes têm ouvidos e é preciso estar atento aos sinais. Durante a II Grande Guerra, Portugal quis manter-se neutro nos conflitos e não vinha mal ao mundo, mas os espiões fizeram de Lisboa o seu campo de batalha. Tinham os seus locais habituais para conseguirem as informações – bares e hotéis, eram os mais concorridos. Recupera-se os passos desses infiltrados, como o do espião duplo Garbo/Arabel, segue-se a senda do ouro judaico e do contrabando de volfrâmio, ouve-se a história de como Aristides de Sousa Mendes, em Bordéus, desafiou Salazar e salvou milhares de refugiados do holocausto a quem concedeu vistos de entrada no País, contrariando as ordens do ditador. E sabia que o maior dos espiões, James Bond, "nasceu” pela pluma de Ian Fleming, entre o Estoril e Lisboa ? A capital pode ser misteriosa e inspiradora. Elementar, meu caro.

Tel: 963 575 635
www.lisbonwalker.com

Hippotrip

Será um autocarro ? Um barco ? Um submarino ? Não, é o Hippotrip, um autocarro turístico que a dada altura do percurso mergulha, literalmente, no Tejo. Do asfalto às águas calmas do Tejo, esta revela-se uma experiência todo-o-terreno. As crianças deliram com a viagem pela constante animação a bordo. Não espere uma narração monótona dos factos históricos, ao longo do circuito de 90 minutos, há tempo para ouvir os mitos e lendas que fazem parte da riqueza cultural e histórica da cidade mas de forma entusiasta por quem conhece a cidade como a palma da mão. O momento em que se muda de perspectiva e o autocarro avança para o Tejo é sempre o mais entusiasta, como se de um navio a afundar se se tratasse, para em seguida constatar que, tal cacilheiro, a viatura segue para porto seguro.

Doca de Santo Amaro – Associação Naval de Lisboa
Tel: 211 922 030
www.hippotrip.com

Bikes & Company

Durante muito tempo, os lisboetas invejavam os habitantes de outras capitais em que as duas rodas eram o principal meio de transporte no quotidiano. É certo que as colinas da cidade não ajudam, mas por cá também já se ganhou o hábito. É uma boa forma de percorrer Lisboa e chegar a locais que são de acesso condicionado a viaturas ou até inacessíveis. Mesmo quem não anda de bicicleta há muito tempo, vai retomar o jeito nas primeiras pedaladas, porque isso é algo que sempre ouvimos dizer que não se esquece. Para contornar as dificuldades, estas são eléctricas – mais fáceis de conduzir, não exigem esforço nas subidas e são amigas do ambiente. O modelo é vintage, o que acrescenta uma dose de romantismo à aventura. Há um passeio que junta petiscos à visita guiada e, é certo, que queijo e enchidos ou um pastel de bacalhau caem sempre bem, entre uma subida ao Castelo de São Jorge e a recta do Parque Eduardo VII. O capacete está incluído para garantir a segurança dos condutores, só falta mesmo a camisola amarela.

Rua dos Douradores, 16
Tel: 210 965 030
www.bikescompany.tours

Lisboa Sensorial

No tempo em que os telefones eram fixos e cabiam todos numa resenha de páginas amarelas ficou célebre o slogan "Vá pelos seus dedos” para se encontrar o número pretendido. Quando se coloca a venda nos olhos para se iniciar esta experiência, não é só o tacto que se deve servir mas todos os sentidos. Saliva-se com o cheiro da sardinha assada, assusta o som dos carros a aproximarem-se rapidamente, apalpa-se caminho, pé ante pé, nas escadinhas entre becos e ruelas, o bairro de Alfama revela-se na ponta dos dedos. Não deixa de ser uma provocação, num mundo cada vez mais voraz de imagens. A ideia é sensibilizar para o universo invisual, não num sentido incapacitante, mas num sentido positivo, em que um guia invisual da ACAPO - Associação dos Cegos e Amblíopes de Portugal convida a entrar no seu mundo de códigos e referências, durante uma hora e meia, um autêntico ensaio sobre a cegueira.

Tel: 963 575 635
www.lisbonwalker.com

Bike my Side

Impõe-se um capacete do tempo da guerra e uns óculos daqueles que cobrem o rosto todo para subir ao sidecar Ural, um modelo concebido pelos russos, nos anos 40 do século XX, e que continua a ser construído de forma artesanal, nos Montes Urais, na Sibéria. Acelera-se, mas pouco, que a cidade pede tempo. Dá-se preferência a ruas alternativas e pitorescas, à Lisboa autêntica, onde poucos turistas chegam e menos ainda os autocarros. O guia vai ao volante partilhando conhecimentos e histórias com a informalidade que se impõe entre amigos. De súbito, estamos num cenário do filme Indiana Jones ou numa aventura de Tintim, onde tantas vezes os heróis planearam as fugas em sidecars. E feitas as contas à emissão de dióxido de carbono para a atmosfera, calculou-se que o sidecar tem tanto de belo como de monstro, ao libertar uma media de 1,28 toneladas de CO2/ano. É agora que se respira de alívio, estes passeios são carbono zero, o que resulta numa média de seis árvores plantadas ao ano. Haverá pegada mais ecológica ?

Tel: 962 554 610
www.bikemyside.com

Lisbon Helicopters

Em São Paulo seria comum deslocar-se de helicóptero, por cá é um luxo. Ainda assim, acessível para passeios de 15 minutos que vão ao  encontro da "Lisboa Imperial”. Aperte os cintos para olhar tudo do alto, a viagem que se segue permite uma panorâmica pela frente ribeirinha, desde Belém, onde os monumentos celebram os feitos dos grandes navegadores que deram mundos ao mundo – Padrão dos Descobrimentos, a Torre de Belém –, atravessando o rio para apreciar o Cristo-Rei e cruzando a Ponte 25 de Abril. Daí, sobrevoa-se a Baixa Pombalina e a monumental Praça do Comércio. No regresso, a perspectiva é mais moderna, entre o Centro Cultural de Belém, a Fundação Champalimaud e o MAAT – Museu de Arte, Arquitectura e Tecnologia. Junta-se ao voo uma boa dose de  adrenalina. Lisboa desafia os audazes.

Passeio Marítimo de Algés, Torre VTS
Tel: 213 011 794
www.lisbonhelicopters.com

Hills Tramcar Tour

Andar de eléctrico entre o bulício citadino requer paciência, poucas serão as vezes em que a viagem acontece sem compassos de espera causados pelos veículos mal parados. Mas Lisboa tem outro encanto vista assim, aos solavancos, sobre carris, num modelo histórico do mais característico transporte da capital. Veste-se de vermelho e isso já diz muito da sua elegância. O seu trajecto mostra a faceta bairrista, onde a roupa seca ao vento e as mulheres conversam à janela como se cantassem. Imaginam-se as varinas e os ardinas, de outrora. Segue airoso pelos castiços bairros de Alfama, Castelo, Bairro Alto, Mouraria. Sobe-se à Lapa, com outros pergaminhos. Desce-se pela Estrela. Entre o pára-arranca, cabem todos os fados. 

Tel: 707 201 597
www.yellowbustours.com

Galeria do Loreto

É outra cidade a que se esconde nas galerias subterrâneas do Loreto, uma das cinco que integra o sistema que compõe o complexo hidráulico do Aqueduto das Águas Livres, que abastecia 30 chafarizes e que resistiu ao terramoto de 1755. São caminhos de água, que se escondem debaixo das casas, dos jardins, das estradas. As visitas têm dia certo e são de marcação obrigatória, com dois percursos opcionais: entre a Casa do Registo e São Pedro de Alcântara, com entrada pelo Reservatório da Mãe d’Água das Amoreiras, ou a partir do Reservatório Patriarcal e São Pedro de Alcântara, com entrada pelo Jardim do Príncipe Real. Não se vê Lisboa para lá dos passadiços estreitos, frios e húmidos, mas vê-se o que não é visível no quotidiano, entende-se a arte e o engenho que fez chegar a água e abastecer uma cidade num tempo em que eram mais os homens que as máquinas. E, no regresso à superfície, vê-se tudo com outros olhos, com outra luz.

Tel:  218 100 215
www.epal.pt

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