17 Jan 2020 855
Paulo Santos / Jornalista
#dicas #experiencias

E o mar ali tão perto!

Duas casas centenárias foram unidas por um edifício contemporâneo. O resultado é o Les Suites at The Cliff Bay, um hotel PortoBay na ilha da Madeira, implantado numa ravina, sobre o mar, onde nada foi deixado ao acaso

14:00 horas – Check-in

À entrada parece que nos preparamos para visitar a casa de amigos. Transpondo a entrada com mais de 100 anos, recebe-nos uma acolhedora sala de estar, com a receção a um canto. É uma das casas que faz o Les Suites at The Cliff Bay, transformada em zonas públicas, e duas suites. Mas é acima de tudo a porta de entrada, o primeiro contacto.

A luz do sol entra pelas portas envidraçadas que levam a uma varanda. No chão sobrevivem os azulejos em padrão xadrez que testemunham outra época.

Recebem-nos sorrisos e um copo de espumante, antes do trajeto até à suite 43. Para lá chegar não subimos. Descemos. O Les Suites é um hotel que ganhou espaço sem aumentar volume, não se eleva no ar. Um aparente paradoxo, fácil de perceber quando se nota que foi construindo escavando parte de uma ravina em cima da qual todo o projeto foi implantado. O hotel acaba por se tornar num único corpo que parece abraçar a paisagem. 

Tal como as outras, a suite 43 é feita de espaços amplos e da relação com a luz que entra do exterior. A decoração tem um toque clássico, em tons suaves. A partir do sofá em pele castanha observo o ambiente tranquilo que me rodeia. 

Na sala esperam-nos um cesto de frutas, canapés e uma garrafa de espumante. É outra forma de dar as boas-vindas, porque a viagem pode ter sido longa e importa começar a desfrutar da estadia.

E não faltam detalhes. A cama king size, o quarto de vestir, a ampla casa de banho com duche e banheira, uma iluminação em tons quentes e onde não faltam amenities da Bvlgary.

14:30 horas – Relaxar e planear

A suite tem um pequeno jardim privado, que liga aos jardins do hotel. Não resisto à espreguiçadeira e a deixar-me ficar um pouco, ao sol. Aos meus pés está o mar, que aqui funciona como uma espécie de um palco de um grande teatro como a baia do Funchal como cenário. Estamos em dezembro, mas por momentos parece agosto!

15:00 – Tratar do corpo

Decido explorar o hotel. O corredor leva a um acesso ao The Cliff Bay, hotel que completa o Les Suites. Ali podia ter aproveitado a piscina interior, ou apreciado um tratamento no Spa. Mas regresso ao Les Suites onde me espera um ginásio. Ali ao lado há uma sala para Pilates e até uma zona de meditação.

15:30 – Continuar a explorar

Uma das marcas do Les Suites é a piscina infinita, que parece o prolongamento do oceano. Ao lado tem um jacuzzi, que funciona como uma espécie de camarote com vista para a cidade. É por ali que me detenho um pouco no calor da água borbulhante. 

É partir daqui que observo que os belos jardins e a arquitetura do hotel, onde cada corpo é fiel ao seu tempo: As duas casas do início do século XX são ligadas por um edifício contemporâneo disfarçado na paisagem, com traços de betão aparente. O conjunto é harmonioso. 

17:00 horas – Chá da tarde

É a hora do chá. E se para muitos pode ser uma instituição que não se adaptou aos tempos, para outros, é uma componente indispensável do dia-a-dia.

Neste caso permite também explorar outra área do hotel, que se organiza em redor das duas casas centenárias do Les Suites. Aqui funciona o Avista, o restaurante que quase "nunca dorme”: São servidos pequenos-almoços, almoços, jantares, bebidas e, claro, o chá da tarde.

A mesa está reservada numa esplanada que é um jardim. Lá em baixo ouve-se o som das ondas e quase se pode tocar a espuma branca do mar na pequena enseada.

A brisa marítima abre o apetite. Devoro as sandes e os bolos, regados por uma infusão. A escolha era vasta mas opto por uma com o sugestivo nome de Morning Star, uma mistura de Erva Príncipe, Hortelã, e Hibisco.

Quando a noite cai a temperatura desce um pouco. Aproveito para ver um pouco de TV e manter-me a par do que se passa no mundo. Procuro conforto numa confortável manta de lã da Serra da Estrela, outros dos pequenos detalhes que fazem grande diferença neste hotel.

20:00 horas – Cocktails

Entretanto cai a noite. Regresso ao Avista, um dos palcos principais deste dia no Les Suites. Mas tal como num teatro, o cenário mudou. É uma espécie de outro ato. As luzes reforçam os contornos do jardim. Sombras projetadas pelo fogo de uma pira dançam bruxuleantes nos recantos. O burburinho das pessoas que jantam, entrecortado por gargalhadas, aquece o ambiente. Ao fundo o cenário na cidade também mudou. É dominado pelas luzes coloridas da época festiva, afinal de contas é dezembro e a Madeira é conhecida mundialmente pelas suas iluminações de Natal.

Os cocktails são uma das apostas. A carta é vasta e não falta por onde escolher. Opto pelo Cucumber Basil Salad, à base de gin, pepino, manjericão, sumo de limão, clara de ovo e açúcar.

Depois sou brindado por uma proposta fora da carta, por iniciativa do barman Manuel Alves, um Madeira Ale, uma mistura à base de Ginger Ale e vinho Madeira.

21:00 horas – Jantar

Podia ter ficado na mesma mesa. O jantar teria sido ali servido, na esplanada sobre o mar. É uma das características do Avista, que apesar de ter áreas separadas para cada conceito, tem a versatilidade de levar o serviço ao encontro do cliente. Assim, é possível apreciar comida asiática na zona mediterrânica, ou a cozinha mediterrânica na esplanada, ou na área dedicada à comida asiática.

Com pena de não experimentar as especialidades japonesas da Chef Luísa Castro, escolho um jantar mediterrânico, preparado pela equipa do Chef João Luz: Lulas, vieiras, um naco acém… um jantar acompanhada pelos vinhos escolhidos pelo sommellier Roberto Drummond.

O forno a carvão Josper é a base das criações gastronómicas. Contribui para preservar o sabor dos alimentos, sejam os peixes do mercado, sempre frescos, ou as opções de carne.

8:30 horas – Despertar

Dormir de manhã é um desperdício no Les Suites mesmo nas férias. Vale a pena abrir os cortinados e convidar o sol a entrar. Ele depressa aparece no horizonte, por detrás do recorte das montanhas da ilha. E a luz de inverno é de um dourado intenso, que convida à contemplação.

Depois, o pequeno-almoço, onde não faltam opções à la carte e um buffet variado. O destino é outra vez o Avista, que voltou a transfigurar-se, literalmente da noite para o dia.

9:30 horas – Despedidas

A estadia está quase no fim, mas ainda faltam umas horas. O calor convida a um mergulho. Faço o percurso pelo jardim, entro no The Cliff Bay. Desço até ao mar praticamente sem ondulação. Parece um lago! Entro de uma só vez… um mergulho capaz de purificar até a alma.

Antes do check-out, às 12:00 horas, e da saudade que leva sempre a um regresso, falta ainda a cereja no topo do bolo. Decido voltar ao Les Suites e à piscina infinita, com a água aquecida. Não há barreiras entre os meus olhos e o horizonte, só o mar cintilante, a baía do Funchal, as ilhas desertas…

Debruço-me sobre a borda da piscina admirando o Atlântico aos meus pés. Não deixo de me recordar que estamos em dezembro e penso: Isto é que é vida!
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