26 Nov 2015 357
PortoBay Hotels & Resorts
#cultura #saopaulo #testemunho

Esta é a minha casa em São Paulo 

Com mais de uma centena de noites passadas no L'Hotel PortoBay São Paulo que coincidem, na sua maioria, com as apresentações da Orquestra Sinfónica de São Paulo, o maestro brasileiro Isaac Karabtchevsky‏ aqui sente-se em casa.  

Aproveitámos uma das suas visitas para conhecer um pouco mais da vida deste reconhecido músico, da qual PortoBay Hotels & Resorts já faz parte há vários anos . .. 

Quando começou a música para si ? 

Na mais tenra infância, porque venho de uma família musical onde havia uma tradição. Ao ouvir discos e artistas que frequentavam a minha casa, eu criei uma ligação profunda com a música em todas as suas manifestações. Às vezes o talento desponta de uma maneira totalmente inesperada: no meu caso, houve uma paixão solidificada por uma tradição. 

Quem são os seus compositores favoritos ? 

A bíblia de todos os maestros são Mozart, Beethoven e Bach. A esses compositores estamos ligados visceralmente. A partir daí identifico-me com aqueles que têm uma mensagem importante como Gustav Mahler, Anton Bruckner, Heitor Villa-Lobos, enfim, é uma lista imensa . .. 

Depois de 30 anos, voltou da Europa para São Paulo . .. 

Já tinha alguns projetos simultaneamente na Europa e no Brasil, como a regência da orquestra sinfônica brasileira à frente da qual estive 26 anos.  

Como quando lá é verão aqui é inverno, pude trabalhar amplamente nos dois continentes. Não tinha era a possibilidade de ter férias . ..  

Na Europa trabalhei primeiro em Viena, depois em Veneza e mais recentemente em França. Este período ficou marcado por  uma profunda identificação com músicos de outros países, o que foi uma experiência muito benéfica para a minha atividade aqui no Brasil. 

Qual o seu trabalho agora em São Paulo ? 

Trabalho em dois sectores aparentemente antagónicos.  

Trabalho com a orquestra da comunidade carente de Heliópolis formada por músicos da própria favela, que fazem um verdadeiro milagre em termos de execução e compreensão de estilos aos quais eles não estão habituados. É um trabalho exemplar, onde trabalhamos diferentes compositores com o mesmo senso estético. Isso deixa-me profundamente feliz.  

Por outro lado, estou na Orquestra Sinfónica da Cidade de São Paulo onde tenho trabalhado na gravação integral da sinfonia de Villa Lobos. 

Em Heliópolis sentiu preconceito em relação à música clássica ? 

Quando cheguei já estava montada a estrutura: um prédio sensacional no meio de uma favela com 33 salas de aula e que hoje atinge cerca de 1.400 jovens da comunidade. No país não há outro movimento tão bem estruturado para a formação dos jovens que em outras condições não teriam a possibilidade de frequentar um conservatório. 

Qual foi a sua maior realização ? 

Foram várias: ter levado a Sinfónica Brasileira à Europa, que foi um projeto bastante ambicioso e a primeira orquestra brasileira a viajar para o exterior.  

Concertos marcantes como a 8ª Sinfonia na praia de Copacabana, um repertório muito eclético com cem mil pessoas a ouvir atentamente. Mas a cereja no topo do bolo é o projeto de Heliópolis. 

O que gostaria para o seu futuro ? 

Gostaria muito que em alguma cidade brasileira nascesse algo como já existe em Nova Iorque, onde eles reúnem vários teatros numa praça, o Lincoln Center.

Se nós conseguíssemos realizar um projeto que reunisse as artes numa praça, onde o público pudesse sair de um espetáculo e ir diretamente para outro . .. Isso seria um dos meus sonhos tornados realidade !! 

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