17 Abr 2019 846
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#cultura

500 anos de História: PortoBay Flores

Existem hotéis e HOTÉIS COM HISTÓRIA. 
Idealmente localizados. Com um charme especial que nos transporta ao passado. Com edifícios e traços arquitetónicos que nos contam a sua própria história. Com um legado gravado no seu "corpo”. .. É assim o novo hotel PortoBay Flores, a mais recente unidade de 5 estrelas do Grupo PortoBay, que recupera um emblemático palacete do século XVI em pleno centro histórico da cidade do Porto, e com abertura prevista para o verão de 2019.

A origem das casas da Rua das Flores

Esta casa apalaçada, conhecida pelas gentes da cidade pelo nome de Casa dos Maias (nome da última família que a habitou) ou Palácio dos Ferrazes. Os Ferrazes Bravo, por consórcio da família Ferraz com o também fidalgo Manuel Bravo, foram proprietários da casa até ao século XIX, altura em que foi adquirida por Domingos de Oliveira Maia. Foi construída ainda no século XVI pelo fidalgo Martim Ferraz na Rua das Flores, onde até então estavam as hortas do Bispo do Porto. 

Esta rua seria uma das principais vias da cidade e o lugar escolhido como residência pela burguesia urbana da cidade, albergando um belíssimo conjunto de casas senhoriais apalaçadas dessa data, cuja traça foi mantida até aos dias de hoje. Trata-se de um amplo edifício, cuja feição quinhentista foi radicalmente alterada por obras setecentistas. 

Bonita fachada histórica

Na fachada é possível apreciar as marcas que a sua longa história ali foi deixando, onde sobressaem as grandes portas de madeira, os janelões sobrepujados por frontões triangulares, as varandas de ferro forjado e as cantarias de pedra onde foram anexos brasões quinhentistas que enquadram o vão central. 

Estes brasões são constituídos por escudos de armas que podem ser quinhentistas, embora estejam montados numa estrutura ornamental composta por volutas e enrolamentos barrocos, talvez em resultado das intervenções realizadas no século XVIII. 

Pormenores da época

No interior, as antigas cavalariças do palacete deram agora lugar à entrada do hotel. O projeto do arquiteto Samuel Torres de Carvalho recuperou ainda os seus principais elementos. Entre eles destacam-se o piso e a imponente escadaria, onde as lajes de granito originais continuam, 500 anos depois, a marcar presença. Observam-se ainda outros elementos da época no interior como bonitos azulejos, janelas, motivos decorativos em pedra original e um antigo forno de cozinha que se encontra a meio do corredor que une o edifício do palacete e a ala nova do hotel.

A larga escadaria de entrada conta com dois lanços laterais e um lanço central, em cujo corrimão se apoiam seis colunas elevadas até os salões superiores. É aqui, nos salões recuperados da família Maia, que encontramos o restaurante do hotel, assim com uma sala de reuniões com luz natural ambos com vistas para a Rua das Flores.

Um dos segredos da cidade . ..

Nas traseiras do palacete, surge um amplo pátio pavimentado em lajes de granito, fruto das transformações oitocentistas, onde terá existido uma fonte barroca. O pátio reserva ainda mais um dos muitos segredos do Porto, uma pequena capela barroca cuja data se atribui à época das obras de renovação do imóvel, certamente meados do século XVIII, de autoria do artista italiano Nicolau Nasoni, que se tornou uma espécie de Miguel Ângelo da cidade do Porto, onde realizou inúmeros trabalhos, entre os quais a vizinha igreja da Misericórdia e a emblemática Torre dos Clérigos.

O desafio do arquiteto

O projeto do hotel, conduzido pelo arquiteto Samuel Torres de Carvalho, teve como premissa a preservação e integração dos elementos que caracterizam o palácio original garantindo assim a sua identidade.

O lote, integrava dois edifícios de carácter arquitetónico distinto, localizados em extremos opostos e com uma diferença significativa de altura. A sul, o Palácio dos Ferrazes na Rua das Flores, e a norte, na Rua da Vitória, uma construção de meados do século XX. O desafio do projeto era criar uma unidade hoteleira moderna, estabelecendo ligações entre as várias discrepâncias, arquitetónicas, temporais e topográficas, estabelecendo um lugar único.
Para cumprir o projeto do hotel, com 66 quartos, spa, ginásio, restaurante e espaço para reuniões, a demolição do edifício existente na Rua da Vitória deu origem a um novo edifício com nove pisos que, pela sua dimensão e visibilidade das ruas e outros pontos da cidade, teria necessariamente de estabelecer um diálogo com o meio envolvente. O desafio adicional da discrepância entre dimensões e edifícios, é resolvido através de um pátio ajardinado entre os dois edifícios que estabelece um espaço comum. O uso da pedra como material desempenha um papel decisivo no diálogo entre os edifícios e o entorno, pois, através de sua recuperação, estabelece-se um fio condutor que permite interligar as diferentes intervenções e espaços, reforçando o conjunto da sua imagem.
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