02 Out 2018 593
Fernanda Meneguetti Devorável
#dicas #moda #saopaulo

Não sabe o que vestir? Vá de sustentabilidade

Em São Paulo, a nova geração de grifes empodera mulheres, promove o consumo consciente e não desperdiça nem um fiozinho de tecido!

Ser sustentável não é exatamente fácil, mas, por sorte, entrou na moda. As etiquetas made in China, tornaram-se saias justas e as roupas 100% sintéticas, uma cafonice sem tamanho. E há razões para isso: o estilo tem se associado à consciência de quão poluente a fabricação de um tecido ou a viagem até o seu armário pode ser. Da mesma forma, respeito à cadeia produtora e engajamento em projetos sociais passaram a ser um trunfo das marcas.


Antenada com a tendência, a Osklen lançou na última São Paulo Fashion Week (evento mais importante de moda de toda a América Latina) a coleção ASAP: as sustainable as possible, as soon as possible. Com as peças criadas a partir de corantes naturais e com uso limitado de água e químicos, a grife carioca firmou não apenas seu compromisso com a preservação de recurso naturais, mas um conceito que urgia há tempos, desde que ela começou a usar couro de pirarucu (descartado da indústria alimentícia) em bolsas, tênis e calças. Para ver de perto essa sustentabilidade toda, a loja na Vila Madalena (Rua Harmonia, 488/498) é disparada a mais agradável.

A toada eco-friendly também dita o tom dos sapatos veganos e sustentáveis da Insecta Shoes. A marca criada no Rio Grande do Sul converte roupas usadas e garrafas de plástico em sandálias, botas e outros modelos em calçados e acessórios exclusivos, que podem ser achados numa loja simpática no bairro de Pinheiros (Rua dos Pinheiros, 342), onde é possível provar criações – as estampadas são um escândalo – entre bons goles de cervejas artesanais. 

Se hoje essa tal sustentabilidade é uma das discussões mais importantes da moda mundo afora, a paulistana Flavia Aranha não se faz de rogada e trabalha para fomentar uma cadeia mais justa e humanizada, que valoriza cada elo da produção, da matéria prima ao consumidor (consciente, é claro). Suas roupas guardam memórias. Em outras palavras, visam promover uma conexão afetiva com quem as veste.

Nesse aspecto, a etiqueta aposta nos processos manuais para a produção e o tingimento dos tecidos e desenvolve looks para durarem, reduzindo os impactos da produção e, ao mesmo tempo, empoderando o cliente hoje tão culturalmente induzido ao consumo desenfreado. A visita à loja charmosa (Rua Aspicuelta, 224) chega a ser um passeio relaxante !!

Falando em relaxar, os tricots e crochês da Señorita Galante, 100% artesanais, são daquelas peças acolhedoras, em que uma pessoa tem vontade de se aninhar -  e isso vale para casacos, cachecóis e até biquinis. Outro mérito das irmãs Anne e Ana Galante foi que, ao gerarem oportunidades de renda a mulheres que necessitavam de autonomia, teceram uma teia de costureiras afiadíssimas nas agulhas. O engajamento social delas é visto também em projetos como o Laços Unidos Contra o Frio, que reúne centenas de pessoas para crochetarem mantas e cobertores doados a asilos, orfanatos e abrigo durante o inverno. 

Na prática, as manas ainda priorizam os fios nacionais, reduzindo o impacto ambiental, e pregam uma política de desperdício zero, valores que podem ser conferidos até em cursos, inclusive online (www.senoritagalante.com).

Nessa busca por "roupas que signifiquem algo mais do que um tecido pendurado no cabide”, vale mencionar a jovem AVAH! (www.avahstore.com.br), que usa resíduos descartados para dar vida a roupas "bonitas por dentro e por fora”. 

À parte a graciosidade do discurso, o coletivo de designers dispensa itens supérfluos e se compromete com o upcycling, ou seja, ela compra excessos de produção em estoques, restos de rolos de tecido, testes de máquinas e outros itens ameaçados a amargarem o ostracismo eterno e, assim, não somente combate o desperdício, como origina camisetas, jaquetas e moletons de personalidade.


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