27 Fev 2020 378
Paulo Santos / Jornalista
#experiencias #gastronomia

Quando os pratos são experiências . ..

Com duas estrelas Michelin o Il Galo d’Oro é um desafio aos sentidos, uma viagem por um mundo pleno de sabores.
Sobre a mesa uma toalha branca e uma vela. Dificilmente a imagem de pratos e talheres que esperamos numa experiência gastronómica. Mas o Il Gallo d’Oro é assim !! Simples e ao mesmo tempo, complexo. A luz foi criteriosamente instalada para funcionar como um holofote sobre casa mesa, uma iluminação suave, suficiente para realçar os momentos que se seguem.

Tudo depressa se compõe, com o copo de champanhe que abre o palato, com as manteigas, de pimentão de La Vera, ou de algas, sem sal, ou de nozes, ou com o azeite artesanal, feito de azeitonas galegas.
Depois as escolhas do chefe. Benoît Sinthon é um francês que adotou a Madeira como terra do coração. Do interesse pelos produtos locais e pela sua divulgação foram nascendo ideias que levaram a que se tivesse tornado num dos mentores de uma nova cozinha feita na ilha. O trabalho foi reconhecido e o Il Gallo d’Oro, o primeiro restaurante da Madeira a ter uma estrela Michelin. A segunda estrela foi obtida alguns anos depois. Um prémio para toda a equipa.

O Chef não se limita a usufruir do estatuto de ter conquistado duas estrelas Michelin. Vai mais longe !! Cria e recria, reinventa todos os dias, procura introduzir novos produtos e acima de tudo novas texturas.

Os pratos chamam-se experiências. A escolha é feliz. Cada momento do jantar é mais do que apenas degustar. É um apelo aos sentidos. Uma surpresa. Uma explosão de sabor.
Tudo isto seguido de perto por um serviço na sala atento aos detalhes, pois é à mesa que o espetáculo acontece. Cada experiência é uma obra de arte, como se fosse possível visitar uma galeria sem sair da cadeira. As louças são de formas surpreendentes, incluindo criações do próprio chefe para fabricantes de porcelanas.
O menu muda quatro a cinco vezes por ano. Acompanha a estação. Mas a consistência que a Michelin reconhece está sempre lá. Um trabalho reconhecido por outros prémios que o Il Gallo d’Oro acumula.

O jantar pode ser à la carte, com a escolha de cinco, seis, nove ou dez criações, incluindo a Bola d’Oro, que junta três pratos num só e que está disponível nas opções de 9 e 10 criações.
Em alternativa é possível seguir as sugestões do chefe e embarcar na degustação do Menu Confiance, uma proposta de cinco pratos.

Benoît Sinthon esclarece que na carta estão "os produtos maravilhosos da nossa horta e da ilha com uma fusão dos produtos de que gosto”, que podem ser veado da Alsácia, foie gras, lagostim, carabineiro, entre muitos outros com fama mundial, a que se juntam peixes da costa da Madeira, legumes e ervas aromáticas cultivados ilha, 
Mas a arte não está apenas no produto. Os sabores são pensados para combinarem. Uma experiência de jantar no Il Gallo d’Oro pode representar uma "viagem entre a Madeira, Portugal ou a Península Ibérica”. Tudo depende da estação, explica o Chef.

Uma das marcas do Il Gallo d’Oro é não servir menus pesados. "Os clientes neste tipo de restaurante cada vez mais querem ter experiência de vários pratos, conhecer a cozinha do Chef e usufruir ao máximo.” Por isso, conclui Benoît Sinthon, não podem existir menus pesados.

Apesar das mudanças na carta, há pratos que com o tempo se tornam clássicos, os "must” do Chef porque fizeram "a reputação do Il Gallo d’Oro. A Onda Cristalina, o Pombo Eucalyptus, o Leitão Pinheiro, ou as Lapas, são alguns exemplos.
Os vinhos estão sempre presentes, em escolhas individuais ou em pairing com a comida. Na carta predominam os vinhos portugueses.
E quando o espetáculo parece ter terminado há mais surpresas, para quem gosta de finalizar a refeição com um chá. Numa caixa estão vários sabores, dentro de potes. O tempo para a infusão é medido por uma ampulheta, para que nada falhe. Numa outra caixa, que faz lembrar um cofre, está um sortido de petit fours à escolha, criados pelo Chef pasteleiro Nuno Castro. Tudo uma questão de detalhe.
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